Mulheres acompanhadas pelo Centro de Referência são beneficiadas com cestas básicas

Cerca de 40 mulheres acompanhadas pelo Centro de Referência Esperança Garcia (CREG), unidade vinculada à Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM), foram beneficiadas com cesta básicas, kits de higiene e de limpeza. A atividade solidária conjunta aconteceu entre a Ação Social Arquidiocesana (ASA) em parceria com a Fundação Banco do Brasil.

Na próxima terça-feira (16), o serviço contará com uma nova atividade beneficente. Na oportunidade serão entregues nove cartões às mulheres para a realização de compras de alimentos no valor de R$ 50,00 a serem utilizados em uma rede de supermercado específica da capital.

De acordo com a coordenadora do Centro de Referência, Roberta Mara, a ação social acontece num momento muito importante, prestando assistência necessária às mulheres em situação de vulnerabilidade.  “É uma assistência a mais que a gente possibilitou. Além da situação de violência doméstica, muitas estão em situação de vulnerabilidade, então esse benefício vai ajudar bastante”, destacou a coordenadora.

Para M.L*(abreviação do nome por sigilo e segurança), que está sendo acompanhada pelo serviço há dois anos, o benefício veio em um momento ideal, por conta da situação financeira que enfrenta atualmente.

“Sou diarista e estou desempregada, tenho dois filhos para cuidar, eu realmente estava precisando muito dessa cesta básica e demais utensílios. Graças a Deus ainda existem pessoas que ajudam os necessitados, sou muito grata ao CREG, por tudo que já fizeram por mim”, afirma M.L*.

O Centro de Referência Esperança Garcia (CREG) atende mulheres em situação de violência na cidade de Teresina, oferecendo assistência social, psicológica e jurídica. Durante o período de isolamento por conta da pandemia, a unidade está realizando atendimentos por ligações ou via whatsapp através do número: (86) 99416-9451, agora em dois turnos, manhã e tarde e também aos finais de semana.

Projeto Balançando a Rede discute medidas de enfrentamento à violência contra a mulher em reunião virtual

Nesta quinta-feira (04), a secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM) realizou mais uma encontro virtual com a equipe que compões o projeto Balançando a Rede, com o objetivo de traçar medidas de enfrentamento à violência contra a mulher e também otimizar ideias para o aperfeiçoamento daquelas que estão em vigor. Com essa proposta, o projeto realizou seu terceiro encontro no período de isolamento social, desta vez além da participação de representantes municipais e estaduais, contou também com a participação de um representante do Observatório Mulher Nacional.

Entre as pautas discutidas na reunião, foi destacada a construção de um relatório feito a partir de dados da Casa da Mulher Brasileira de Campo Grande, que possibilita o acesso ao registro de atendimentos referente a órgãos como: Centro de Referência Esperança Garcia, Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, Defensoria Pública, Ministério Público, Tribunal de Justiça, dentre outros.

“O documento, que está em fase inicial, foi feito pela SMPM e deve contar também com a contribuição de outras entidades. Ele pretende organizar o quantitativo de atendimentos realizados por cada órgão para possibilitar uma melhor articulação na realização de estratégias no combate à violência contra a mulher”, pontua a secretaria municipal de Políticas paras as Mulheres, Macilane Gomes.

Para a delegada de Polícia Civil e diretora do Departamento de Proteção à Mulher, Bruna Fontelene, a maioria dos dados solicitados podem ser facilmente catalogados. “Além da disponibilização dos dados, podemos contribuir com nosso núcleo de estudo, em parceria com instituições públicas e privadas de ensino superior destinadas ao planejamento e execuções de pesquisas sobre violência de gênero no estado. Ele está desativado por conta da pandemia, mas futuramente vamos retomar essa parceria com todos os órgãos e otimizar todas essas informações”, disse a delegada.

Outro ponto de destaque no encontro virtual foi o Observatório Mulher, projeto piloto que está em fase de implantação na SMPM em parceria com o Senado Federal. A ação tem como objetivo desenvolver ferramentas que possam proporcionar uma visão de futuro, projetando políticas públicas para as mulheres em Teresina. O projeto busca desenvolver estudos, assim como métodos e processos de trabalho que venham contribuir para esse desenvolvimento.

Para a analista em Gestão Pública da SMPM e responsável pelo Observatório Mulher Teresina, Helemara Moura, o projeto representa uma grande oportunidade de desenvolvimento para a cidade. “Essa é uma excelente oportunidade de desenvolvermos ferramentas que possam projetar uma visão de futuro, projetando as políticas públicas para mulheres. Para o desenvolvimento de Teresina do amanhã é necessário o desenvolvimento desses pilares a partir de hoje”, conclui.

Segundo o representante do Senado Federal, que está à frente da produção do Observatório no Senado, Henrique Ribeiro, o projeto nasceu da dificuldade de fazer uma análise de dados estatísticos. Ele destacou que o principal objetivo do documento é usá-los para a contribuição do aprimoramento das políticas públicas para as mulheres em situação de violência.

“A gente tem desenvolvido esse trabalho desde 2016 e tem evoluído bastante, mas apesar dos pontos positivos estamos sempre pensando em como ele pode contribuir efetivamente no enfrentamento à violência e se isso está realmente acontecendo. Concluímos que estamos muito longe do que acontece na realidade das pessoas, e por isso essa ideia de pensar como essas coisas acontecem no âmbito municipal”, afirma Henrique Ribeiro.

A reunião contou com a participação de várias representantes de instituições da rede estadual de proteção à mulher no Piauí, como Ministério Público do Piauí, Tribunal de Justiça, Coordenadoria Estadual de Políticas para as Mulheres, Defensoria Pública, Casa Abrigo, Patrulha Maria da Penha, Delegacia Especializada da Mulher, Conselho da Mulher e Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres.

Guarda Maria da Penha inicia monitoramento de medidas protetivas de mulheres vítimas de violência

Tiveram início nesta segunda-feira (01) as visitas realizadas pela Guarda Maria da Penha para o acompanhamento e monitoramento de medidas protetivas de mulheres em situação de violência doméstica de Teresina e que são acompanhadas pelo Centro de Referência Esperança Garcia (CREG).

As ações de monitoramento beneficiam 57 mulheres com medidas protetivas, e que tiveram a determinação judicial homologada antes do período de isolamento. De acordo com Macilane Gomes, secretária Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (SMPM), o serviço é mais um mecanismo importante para a proteção de mulheres em toda a capital.

“Agora, com o acompanhamento da Guarda, teremos esse trabalho de proteção especial às mulheres com medidas protetivas. Existe toda uma articulação da rede de atendimento, e esse serviço vem fortalecer essa rede de proteção às mulheres. O acompanhamento vai acontecer de forma assistemática. Por dia, foi programada a visita da equipe a oito mulheres, mas em situação de urgência elas também podem acionar o plantão da Guarda Maria da Penha através do número 153”, explica a secretária.

O projeto Guarda Maria da Penha é coordenado pela SMPM e Secretaria de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi). A equipe é composta por dois guardas, um homem e uma mulher, que foram capacitados para a realização do trabalho. Além do monitoramento às mulheres vítimas de violência, outra novidade é a extensão do teleatendimento realizado pelo Centro de Referência Esperança Garcia (CREG).

“Diante dessa situação de isolamento social, tivemos um aumento na procura dos serviços. Então já tínhamos essa proposta de atender nos dois turnos, por conta da alta demanda. A partir de agora, nossas profissionais estão realizando atendimentos e orientando as mulheres no período da manhã, tarde e também aos finais de semana”, relata a coordenadora do CREG, Roberta Mara.

O Centro de Referência Esperança Garcia atende mulheres em situação de violência em Teresina, oferecendo assistência social, psicológica e jurídica. Durante o período de isolamento, a unidade realiza atendimentos por ligações ou via Whatsapp pelo telefone (86) 9 9416-9451, de segunda à sexta e aos finais de semana nos turnos manhã e tarde.

Prefeitura lança Guarda Maria da Penha para atender mulheres em situação de violência

A partir de agora, a Guarda Civil Municipal passa a ter também a missão de cuidar das mulheres em situação de violência doméstica. Nesta sexta-feira (29), a Prefeitura lançou o serviço Guarda Maria da Penha, disponibilizando uma equipe exclusiva para fazer o monitoramento das medidas protetivas a 57 mulheres acompanhadas pelo Centro de Referência Esperança Garcia.

Segundo o prefeito Firmino Filho, neste momento em que a pandemia do Coronavírus ameaça a todos, tem sido observado também o aumento da violência doméstica contra a mulher. “Estamos no meio dessa grave crise epidêmica e, infelizmente o seu mais importante instrumento de enfrentamento, que é o isolamento social, tem permitido o aumento da violência contra a mulher. Além do apoio do Centro de Referência Esperança Garcia, estamos oferecendo também o serviço da Guarda Maria da Penha, reforçando o trabalho de enfrentamento desse tipo de violência”, destacou.

A iniciativa será coordenada pela Secretaria de Cidadania, Assistência Social e Políticas Integradas (Semcaspi) e pela Secretaria Municipal de Políticas Públicas Para Mulheres (SMPM). A equipe é composta por dois guardas: um homem e uma mulher, que foram capacitados para a realização do trabalho.

“O acompanhamento será feito de forma sistemática, com visitas diárias às residências das mulheres assistidas pelo serviço”, explicou a secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Macilane Gomes, ressaltando que, inicialmente, serão acompanhadas pela Guarda apenas aquelas mulheres que tiveram a decisão judicial de medida protetiva homologada antes do período de isolamento.

O secretário da Semcaspi, Samuel Silveira, afirma que o projeto é mais um importante instrumento de proteção às mulheres, principalmente nesse momento de isolamento social causado pela pandemia, onde os casos de violência têm se intensificado. “Com a implantação da Guarda Municipal Maria da Penha, estamos ampliando a rede de proteção às mulheres para reduzir os índices de violência doméstica na capital e também construir práticas educativas de respeito e proteção aos direitos das mulheres”, disse.

Desde o início do isolamento social, o Centro de Referência Esperança Garcia modificou sua forma de atendimento às mulheres. A maioria daquelas que precisam de ajuda passou a utilizar o WhatsApp para buscar orientações ou fazer denúncia. “É uma situação em que a mulher está junto com o agressor e o contato pelo WhatsApp facilita essa conversa, essa busca por informações e formas de denúncias”, ressaltou a coordenadora do Centro, Roberta Mara.

O Centro de Referência Esperança Garcia (CREG) atende mulheres em situação de violência em Teresina, oferecendo assistência social, psicológica e jurídica. Durante o período de isolamento, a unidade realiza atendimentos por ligações ou via Whatsapp pelo telefone: (86) 9 9416-9451, de segunda à sexta, das 8h às 14h.

SMPM debate atendimento das unidades do Amor de Tia em reunião virtual com especialista em gênero

Em reunião virtual com técnicas da Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (SMPM) e coordenadoras dos Serviços de Acolhimento às Mulheres e suas Crianças – Amor de Tia Norte Norte e Sudeste, para alinhar diretrizes de atendimento no período da pandemia a especialista em gênero, Wânia Pasinato, destaca a importância de levar o atendimento do Centro de Referência Esperança Garcia (CREG) para as mulheres acompanhadas por essas duas unidades.

“Seria interessante levar o Centro de Referência para dentro do Amor de Tia. Colocar o serviço à disposição para qualquer dúvida, mesmo que mínima. Tentar criar esse canal que quebre essa resistência, que quebre essa vinculação do Centro à realização de uma denúncia. Elas precisam sentir essa aproximação e sentir que o serviço tem capacidade de ajudar e tem suporte pra isso”, afirma Wânia Pasinato.

Para a especialista nesse momento é importante pensar em diferentes estratégias de abordagem para alcançar essas mães que vivenciam a problemática da violência doméstica. Para isso, ela defende também a criação de vídeos com uma linguagem mais íntima, com psicólogas do Centro de Referência, que possam expressar uma maior compreensão e cuidado com as mães.

Durante o diálogo as profissionais puderam destacar como atualmente estão sendo realizadas as atividades mesmo à distância nessas unidades, as estratégias utilizadas para o desenvolvimento das tarefas e também como estão trabalhando a questão do enfrentamento de problemas como violência doméstica com as mães acompanhadas.

Segundo a Coordenadora do Amor de Tia Norte, Aline Heira, para o período de isolamento, a unidade articulou a produção de vídeos de enfrentamento à violência doméstica com números e canais de denúncias, vídeos de contação de histórias para as crianças e de economia doméstica, que foram socializados em um grupo de whatsapp a qual essas mulheres estão inseridas. Além disso, como parte desse acompanhamento, essas mulheres também foram beneficiadas com a distribuição de cestas básicas.

“Todas estão cientes e acompanhando o material repassado por nós. Até o momento tivemos apenas um caso de violência. Estamos sempre orientando e encaminhando os canais de denúncias. Mas além da violência doméstica durante esse período, tivemos também os cuidados de auxiliar nas recomendações de saúde por conta do covid-19, dando todo o suporte necessário, proporcionando também entretenimento para elas e os filhos. Todas elas têm consciência que não estão sozinhas”, pontua Aline Heíra

Já de acordo com a coordenadora do Amor de Tia Sudeste, Maria de Lourdes Mendes, a unidade tem algumas mulheres que sofrem com o problema de violência, mas optam por não realizar a denúncia e nem entrar em contato com a rede de apoio.

“Tem duas mães que eu estou acompanhando de perto, todos os dias elas me ligam. Tem outras mulheres que não querem entrar em contato com o Centro de Referência Esperança Garcia. Eu sempre peço que elas pelo menos ouçam a central de apoio, as psicólogas, mas em alguns momentos é bem difícil. Já tentamos de todas as formas, então o acompanhamento que fazemos é ouvir, mas claro que sempre repassamos aos profissionais do CREG”, desabafa a coordenadora do Amor de Tia Sudeste.

Prefeitura de Teresina vai mapear experiências de mulheres no transporte público de Teresina

Segundo uma pesquisa realizada recentemente pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo (Semdec), as mulheres são as principais usuárias de transporte público, representando cerca de 55,7% dos usuários de transporte na capital, mesmo com o período de isolamento social. Apesar de serem maioria, o transporte público não é um ambiente confortável para elas. Muitas sentem-se inseguras, com medo de assédios, violência, assaltos, dentre outros problemas relatados.

Na tentativa de encontrar uma solução para esse problema e mapear as questões vivenciadas por mulheres no transporte público de Teresina, a Prefeitura está aplicando um questionário para conhecer melhor a experiência de cada mulher na utilização desse serviço. A pesquisa pretende dar voz às usuárias de transporte público, para conhecer melhor suas demandas e problemas.

Para responder o Diagnóstico, as mulheres devem acessar o link disponibilizado até o dia 29/05, que pode ser respondido de forma anônima e os dados serão utilizados sem a identificação das pessoas.

O questionário direcionado às mulheres, faz parte de um estudo realizado para melhorar a gestão de transporte público na cidade. O projeto é realizado pela Prefeitura de Teresina, por meio da Agenda Teresina 2030, com apoio da Secretaria de Transportes (STRANS), da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres (SMPM), juntamente com a Agência de Desenvolvimento Francesa (AFD) e todo  o trabalho está sendo desenvolvido pela empresa SYSTRA S.A., em parceria com a Universidade de Fortaleza (UNIFOR).

Para a Assessora Técnica da SMPM, Suzianne Santos, que fez parte do processo de elaboração do questionário direcionado às mulheres na capital, o diagnóstico traz vários pontos de destaque, dentre eles, a demonstração que as relações sociais de gênero se mostram de diferentes formas, para homens e mulheres no espaço público.

“A SMPM vem participando desde março de reuniões com os órgãos envolvidos, no intuito de contribuir com as metodologias de participação social e no olhar para a perspectiva de gênero. Queríamos que as questões colocadas contemplassem a realidade local, com destaque para as questões de segurança das mulheres no transporte público, como terminais, paradas de bairro e no próprio ônibus”, explica a assessora.

A arquiteta da SYSTRA S.A., Tátila Távora, enfatizou que as mulheres se destacam como um público vulnerável à violência no deslocamento urbano, e enfrentam outros inúmeros problemas que muitas vezes nem são relatados devido sua naturalização dentro da sociedade.

“Essas respostas servirão de parâmetro para as soluções propostas que devem considerar o problema que a mulher enfrenta como uma problemática geral e não secundária. Nós precisamos reconhecer que temos usuários com necessidades diferentes e é necessário buscarmos formas de atendê-los em sua completude. E por isso precisamos olhar melhor para nossas mulheres”, finalizou Tátila Távora.

 

Acesse o Questionário

Secretaria da Mulher promove live sobre atuação de organização com meninas em Teresina nesta terça (19)

Nesta terça-feira (19), às 17h, será realizada mais uma live do projeto #TeresinaParaElas no Instagram da Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (@smpmteresina). A live de hoje é uma parceria com a Plan International Brasil e vai abordar a atuação da organização com meninas em Teresina. O debate virtual terá a participação da técnica da SMPM, Lannusy Almeida, e da gerente técnica da Plan International Brasil, Nicole Campos.

Segundo Lannusy Almeida, a Plan atua em parceria com a SMPM desde 2014, quando o órgão ainda era Coordenadoria. O objetivo é trazer metodologias ativas e interventivas para as meninas da zona rural de Teresina.

“Esse parceria vem sendo desenvolvida com muita maestria. É muito importante pensar o empoderamento de meninas e a defesa de seus direitos. E nesse momento precisamos discutir essas ações dentro desse contexto de pandemia”, explica Lannusy.

Para a gerente técnica da Plan International, Nicole Campos, a live será uma oportunidade de debater sobre a atuação da Plan em relação à proteção infantil durante a crise causada pela pandemia, pensando nas necessidades específicas das meninas.

“Temos que ter um olhar mais aguçado e pensar nas necessidades específicas dessas meninas. Refletindo sobre isso, queremos trazer também temáticas importantes para contribuir com o debate, como o tema da menstruação, que diz respeito à saúde e higiene delas. Esse é um tema carregado de tabus e preconceitos, mas é importante e se faz necessário debater sobre isso também”, conclui a gerente.

A Plan International é uma Organização Não Governamental que defende os direitos das crianças, adolescentes e jovens com foco na promoção da igualdade de gênero.

O peso do fator gênero em tempos de pandemia

Para iniciarmos nossas reflexões gostaria de situar você no que entendemos como gênero, de forma simplista, gênero é a maneira que as diferenças entre homens e mulheres assumem nas diferentes sociedades no transcorrer da história. Deste modo, o fator gênero é construção cultural que pode ser moldada e sofrer variações dependendo do tempo, local, cultura em que o ser humano está inserido.

O fato é que a maneira de ser homem e mulher em nossa sociedade foi CONSTRUíDA  em estruturas historicamente patriarcais, que distribuem PODER entre homens e mulheres de forma desigual, destinando papéis sociais, características, funções, maneiras de ser inferiores ou subalternas, existem vários estudos sobre isso.

Essas desigualdades se tornaram preocupação do Estado em diferentes momentos da história à depender do país analisado, entretanto há alguns pontos em comum no mundo que provocaram a chamada da questão para a necessidade da intervenção do poder público, à exemplo da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948; o surgimento do movimento feminista, na década de 60; a conquista ao acesso à educação e outros avanços em direção a maior equidade entre os sexos.

É importante destacar que essas DESIGUALDADES acomete as mulheres de modo diferente pois estão correlacionadas a outros marcadores de desigualdade como raça e etnia, classe social, orientação sexual e território, fator este denominado pelas autoras feministas de interseccionlidade de gênero.

O momento atual em que enfrentamos o avanço da crise sanitária provocada pelo Covid-19 e a quarentena imposta como alternativa de barrar o avanço do vírus, não é diferente, estudiosos da temática já tem apresentado publicações alertando sobre o aumento dessa desigualdade de gênero em tempos de pandemia, destaco o estudo realizado pela antropóloga PASINI (2020) no qual ela analisa um série de reportagens nacionais e internacionais sobre a temática, que aqui condenso em 05 grandes pesos do fator gênero em tempo de pandemia.  SÃO ELES:

  • O primeiro e certamente mais visível é a sobrecarga das mulheres com o acúmulo de tarefas domésticas, cuidados com os filhos e outros dependentes. O fato é que devido as medidas de isolamento social toda família está confinada no ambiente doméstico, entretanto as tarefas para manutenção desse ambiente e das crianças, não entraram de quarentena, ao contrário, houve um aumento das funções a serem desenvolvidas no lar e como já era de se esperar, a execução dessa tarefa recai em grande parte as mulheres, reflexo dos papeis de gênero estabelecidos historicamente.
  • O segundo fator é o crescente índice de violência doméstica nesse período verificada em vários países, as medidas de confinamento propiciaram um maior contato entre os membros da família, muitas mulheres estão em quarentena com seus agressores, que associadas ao estresse, dificuldades econômicas e uso abusivo de álcool comum nesse período, potencializam a ocorrência de violências contra as mulheres e demais membros vulneráveis da família, como crianças e idosos.
  • O terceiro peso do fator gênero destacado é que o mercado de trabalho em saúde é fortemente marcado por papeis de gênero, profissões como enfermagem, técnicos e auxiliares de saúde, categorias estas que estão em maior contato com os pacientes, são historicamente desempenhadas pelas mulheres, logo elas são a maioria das profissionais de saúde da linha de frente de combate ao Covid-19, estando, portanto, mais sujeitas a contaminação.
  • A quarta observação diz respeito aos impactos econômicos gerados em tempos de crise, que também são desiguais para homens e mulheres, visto que estas estão em sua maioria em trabalhos informais e precarizados e que grande parte delas desistiram dos empregos para cuidar da casa e dos filhos durante a quarentena.
  • O quinto fator, ainda não estudado no Brasil, mas já observado em outros países que é o possível aumento da taxa de mortalidade materna e infantil devido à falta de acompanhamento de pré-natal, parto e puerpério, visto que os esforços atuais da saúde estão direcionados para o combate ao COVID-19.

Diante deste cenário tão desafiante para toda humanidade, em especial para as mulheres, os governos têm lançado estratégias para combater essas desigualdades e assegurar proteção as mulheres no isolamento social. Como exemplo, no Brasil foi lançado um auxílio emergencial, o qual tem caráter financeiro destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados, e tem por objetivo fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do Coronavírus – COVID 19. O auxílio faz o recorte de gênero quando o valor do auxílio dobra para mulheres responsáveis pelo sustento financeiro de sua família (BRASIL, 2020).

Em Teresina, visando abrandar os danos causados à mulher no cenário atual e dar continuidade aos seus atendimentos em tempos de isolamento, a Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (SMPM) elaborou O #TeresinaParaElas: Estratégias para enfrentamento à violência contra a mulher no período da pandemia do Covid-19, esse plano de ação denominado tem  os seguintes eixos de atuação: comunicação; enfrentamento à violência e articulação. O documento propõe uma série de ações e programas específicos para enfrentar situações críticas de violência por razões de gênero, em que pese a situação da pandemia do Covid -19. O documento na integra está disponível no site institucional da SMPM. Informe-se, proteja-se e apoie mulheres. Juntas somos mais fortes!

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Decreto Nº 10.316, de 7 de Abril de 2020.

PISANI, M da S. O enfrentamento e a sobrevivência ao Coronavírus também precisa ser uma questão feminista!. Boletim n.12 – Ciências Sociais e coronavírus, 03/04/2020. Disponivel em: http://www.anpocs.com/index.php/ciencias-sociais/destaques/2323-boletim-n-12-o-enfrentamento-e-a-sobrevivencia-ao-coronavirus-tambem-precisa-ser-uma-questao-feminista. Acesso em: 04/05/2020 às 22 horas.

TERESINA. Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres. #Teresina para elas: Estratégias para o enfrentamento à violência contra a mulher no período de Pandemia Covid-19. ORG:SMPM, 2020.

 

Caroline Leal – Assistente Social da Gerencia de Enfrentamento à Violência contra Mulher da Secretaria de Políticas Públicas para mulheres de Teresina e Assistente Social do Centro de Atenção Psicossocial II Sul Teresina

Órgãos de proteção à mulher em situação de violência participam de live nesta terça-feira (12)

Atendimento do Centro de Referência da mulher em situação de violência Esperança Garcia e da Delegacia da Mulher em tempos de pandemia. Este será o tema discutido na live promovida pela Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres que acontece nesta terça-feira (12), no instagram @smpmteresina, a partir das 17h.

Para compor a discussão virtual, foram convidadas a Coordenadora do Centro de Referência Esperança Garcia (CREG), Roberta Mara, e a Delegada de Polícia Civil e Diretora do Departamento Estadual de proteção à Mulher, Bruna Fontenele.

“Convidamos todas e todos que participem da nossa live, para tomar ciência de como está o atendimento nesse período de distanciamento social. Principalmente no sentido de sensibilizar a população acerca do atendimento e da própria orientação à mulher que procura esse atendimento nas instituições competentes”, explica a coordenadora Roberta Mara.

A Delegada de Polícia Civil, Bruna Fontenele, destacou que vai abordar a atuação do setor de segurança nesse momento de pandemia e como as pessoas podem acessar o site da Polícia Civil para fazer denúncias.

“Vamos trabalhar todas essas temáticas, como a mulher pode registrar um boletim de ocorrência, solicitar uma medida protetiva, fazer uma denúncia virtual. Nesse momento de pandemia temos que nos cercar de todos os meios possíveis, e o ambiente virtual, que é a plataforma que nos une e nos mantém informados, é muito importante nesse momento”, finalizou a delegada.