Plano de enfrentamento à violência na pandemia é apresentado para municípios piauienses

Nesta sexta-feira (19), a secretária Municipal de Políticas para as Mulheres de Teresina, Macilane Gomes, participou de um diálogo virtual com as representantes dos Organismos de Políticas para Mulheres (OPMs) de diversos municípios do Piauí. Realizado pela Coordenadoria Estadual de Políticas Públicas para Mulheres do Governo do Estado, a secretária compartilhou práticas exitosas desenvolvidas pela SMPM durante o período de pandemia.

Segundo a secretária, o distanciamento social obrigatório registrou aumento exponencial nas situações de violência de gênero.  Diante desse contexto, foi necessário adequar o planejamento estratégico da SMPM para um plano emergencial denominado ‘Teresina para elas’.

“Nosso principal objetivo era de criar novas estratégias de ações que chegassem até as mulheres em situação de violência ou em risco, que neste período estão passando mais tempo com seus agressores. Assim, pensamos formas de ajudar também quem não têm acesso à tecnologia (aparelho telefônico, internet) nem dispõe de uma rede de apoio. Para isso, estamos fazendo uma ampla divulgação dos meios disponíveis para denúncias, orientações nos diversos canais de comunicação como rádios, redes sociais, TVs e dentre outros”, pontua Macilane.

Outra atividade bastante importante executada a partir desse período de distanciamento social foi o acompanhamento da Guarda Maria da Penha às mulheres em situação de violência doméstica e familiar. “Inicialmente, serão acompanhadas pela Guarda o total de 57 mulheres do Centro de Referência Esperança Garcia (CREG).Todas tiveram a decisão judicial de medida protetiva homologada antes do período de isolamento”, esclarece a secretária.

Para a representante da OPM de Cocal de Telha, Ronnycleyde Oliveira, o compartilhamento de informações e do plano estratégico de Teresina é bastante relevante, pois além das práticas já desenvolvidas no município para esse enfrentamento à violência contra a mulher, o novo aprendizado abre a visão para a realização de novas práticas.

“Em nossa cidade já desenvolvemos o projeto ‘Você não está Sozinha’, que além de trabalhar o empoderamento dessa mulher, trabalha também o encorajamento a denúncia. Mas algumas das experiências como a expansão dos canais de comunicação, já desenvolvidas na capital, devem ser também brevemente aplicadas por nós”, afirma Ronnycleyde Oliveira.

Na oportunidade participaram do encontro virtual, representantes de Organismos de Políticas para Mulheres (OPMs), dos municípios de Pedro II, Sussuapara, Cocal de Telha, São Raimundo Nonato e São João do Piauí.

SMPM apresenta plano de enfrentamento a violência contra mulheres durante a pandemia

As políticas públicas para mulheres desenvolvidas em Teresina durante a pandemia foram apresentadas no diálogo virtual ‘Conexão Mulheres Brasil’. A reunião, promovida pela comissão piauiense da Associação Brasileira de Mulheres na Carreira Jurídica, teve o objetivo de conectar as secretarias de políticas para as mulheres no âmbito federal, estadual e municipal, além de várias entidades ligadas à rede feminina de defesa à mulher.

Segundo a secretária da SMPM, Macilane Gomes, após determinação de distanciamento social, a equipe da secretaria elaborou um plano estratégico de enfrentamento à violência denominado ‘Teresina Para Elas’. Este plano compreende alguns eixos estratégicos como a comunicação, buscando atender as especificidades e necessidades das mulheres neste contexto.

“Pensamos em como poderíamos fazer para as informações circularem, até chegar no público alvo, então veio a ideia das lives, rádio, gravação de vídeos, e assim estamos atuando com várias formas de comunicar. Outra estratégia utilizada foi a de articulação com a Rede de enfrentamento à violência contra à mulher para conhecer como as outras instituições também estão trabalhando neste momento”, enfatiza a secretária.

Segundo a Secretária Nacional de Políticas para as Mulheres, Cristiane Britto, as estratégias envolvidas no enfrentamento à violência contra a mulher em todo o Brasil devem ser pensadas também para as mulheres que possuem pouco ou nenhum tipo de acesso à comunicação. “Queremos levar soluções para as mulheres que não têm nenhuma condição de fazer uma denúncia. Estamos avançando para propiciar comunicação até por rádio, se for preciso, mas nós precisamos chegar a essas mulheres invisibilizadas. Isso é fazer cercear uma violação de direitos humanos. A falta de acesso a um meio para fazer uma denúncia é uma violação, precisamos combater isso”, destacou a Secretária Nacional.

Além de enfatizar a importância de fortalecer os meios de comunicação no enfrentamento à violência, a Secretária Nacional Cristiane Britto, falou ainda sobre o Plano de Combate ao Feminicídio, projeto que teve seu lançamento adiado devido à pandemia, mas deve ser retomado no segundo semestre. Ela também destacou as ferramentas de denúncia à violência, assim como a importância das delegacias virtuais nesse processo, onde a mulher não precise se dirigir à delegacia para efetivar alguma denúncia.

As mulheres de Teresina que sofrerem algum tipo de violência e precisarem de orientações, podem entrar em contato também com o Centro de Referência Esperança Garcia (CREG). A unidade está realizando atendimentos por ligações ou via Whatsapp através do número: (86) 99416-9451, nos dois turnos, manhã e tarde e também aos finais de semana. O local disponibiliza assistência social, psicológica e jurídica a essas mulheres.