Amor de Tia Norte inicia programação de férias com mães e crianças acompanhadas pelo serviço

Iniciou nesta segunda-feira (20), a programação de colônia de férias integrativa com as mães e crianças acompanhadas pelo Amor de Tia Norte, unidade vinculada à Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (SMPM). Com as atividades presenciais suspensas, foi necessário adaptar as atividades recreativas para o formato de vídeos a serem distribuídos durante toda essa semana em grupos de mães pelo whatsApp.

“Preparamos diversas atividades lúdicas, para que as crianças sintam-se como se estivessem de férias. No período normal nós fazíamos o circuito integrativo, com muitas brincadeiras, brinquedos temáticos, e agora estamos tentando encaixar nesse formato online. Nosso objetivo é estar presente, mesmo distante”, afirma a coordenadora do Amor de Tia Norte, Aline Heira.

Ainda segundo a coordenadora, durante a semana serão distribuídos kits especiais para as crianças. “O Kit será composto de itens como pipoca, balão, massinha de modelar, e serão entregues às mães em nossa unidade”, esclarece.

Ivonete Carvalho, mãe do Adrian Nascimento de apenas 1 ano e 7 meses, relata o que projeto sempre traz inovações, em todas as datas especiais, e no período de férias não seria diferente. Ela fala sobre o empenho da equipe durante o período de pandemia e como o serviço sempre busca trabalhar atividades para serem executadas de forma conjunta entre as crianças e as mães.

“Além das oficinas criativas que ajuda no desenvolvimento das crianças, são repassados também nos grupos de whatsApp vídeos explicativos de como devem ser feitas as atividades, vídeos informativos sobre os mais diversos temas e de contação de histórias infantis. As crianças e nós mães também gostamos bastante, pois a maioria dessas atividades são desenvolvidas de forma conjunta”, pontua Ivonete, que faz parte do Amor de Tia Norte há sete meses.

O Serviço de Atendimento Integral às Mulheres e suas Crianças: Amor de Tia, atende mulheres em situação de vulnerabilidade em Teresina. Na unidade são desenvolvidas ações que promovem a qualificação profissional, empoderamento feminino, além de estimular o desenvolvimento psicossocial para crianças.

Plano Emergencial de Atendimento às Mulheres da SMPM é apresentado em evento da UFPI

O Plano Emergencial de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência, da Prefeitura de Teresina, foi apresentado pela secretária municipal de Políticas para as Mulheres, Macilane Gomes, em webconferência no VIII ATELIER UFPI ALASS: trabalho e formação da política de saúde, produção de conhecimento, atenção hospitalar e intersetorialidade do SUS.

Segundo Macilane Gomes, a apresentação do Plano Emergencial para a comunidade científica se configura como mais uma oportunidade para discussão de políticas públicas para as mulheres com especialistas, estudiosos, sendo assim um espaço para somar experiências.

“Como experiência na cidade de Teresina, em especial no que se remete ao enfrentamento à violência contra a mulher nesse contexto de pandemia, pontuamos os desafios e as possibilidades do teleatendimento, sobretudo dos desafios das mulheres de conhecerem e acessarem esse serviço para buscar ajuda. O evento possibilitou uma troca de saberes com pesquisadores, estudantes. Tivemos a oportunidade de interagir com o público, ouvir sugestões. Tudo isso para aperfeiçoar esse trabalho que vem sendo realizado nesse contexto tão desafiador”, destacou Macilane Gomes.

A coordenadora do evento e membro do comitê Diretivo da Alass, professora Edna Goulart, afirma que o Plano Emergencial de Atendimento às Mulheres se mostra fundamental no cenário atual, em que as mulheres se encontram isoladas e em uma condição maior de risco.

“A questão que colocamos é: ‘o que fazer quando a pauta de uma defesa da vida coloca um risco em relação à outra?’. Pautarmos o Plano Emergencial de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, evidenciá-lo, explicitá-lo, dar acesso público ao conhecimento, se faz importante. Permite que para além da defesa da vida na perspectiva da saúde, que também devemos construir instrumentos legítimos e eficazes de proteção à mulher no que tange à segurança”, afirmou Edna.

Entre as temáticas debatidas no evento deste ano estavam a Reforma Sanitária e Reforma Psiquiátrica do Sistema Único de Saúde (SUS), Pandemia e desafios do SUS. No segundo momento houve a discussão sobre a relação da Biologia e o desenvolvimento de tratamento contra a Covid-19, a Gestão Estadual do SUS no Piauí, o Plano Emergencial de Atendimento às Mulheres, entre outros temas.

O evento teve como objetivo discutir o trabalho no campo da saúde, a relação entre os aspectos estruturais e conjunturais e o processo de formação e produção de conhecimento dentro da Universidade. A atividade incentiva essa produção de conhecimento tanto na graduação como na pós-graduação, discutindo-a em nível nacional e internacional.

O VIII ATELIER UFPI ALASS foi coordenado pelo departamento de Serviço Social e pelo programa de Pós-Graduação de Políticas Públicas, em parceria estabelecida entre a Universidade Federal do Piauí(UFPI), Associação Latina de Análises de Sistemas de Saúde (com sede em Barcelona) e PET – Saúde Interprofissionalidade.

SMPM apresenta plano de enfrentamento a violência contra mulheres durante a pandemia

As políticas públicas para mulheres desenvolvidas em Teresina durante a pandemia foram apresentadas no diálogo virtual ‘Conexão Mulheres Brasil’. A reunião, promovida pela comissão piauiense da Associação Brasileira de Mulheres na Carreira Jurídica, teve o objetivo de conectar as secretarias de políticas para as mulheres no âmbito federal, estadual e municipal, além de várias entidades ligadas à rede feminina de defesa à mulher.

Segundo a secretária da SMPM, Macilane Gomes, após determinação de distanciamento social, a equipe da secretaria elaborou um plano estratégico de enfrentamento à violência denominado ‘Teresina Para Elas’. Este plano compreende alguns eixos estratégicos como a comunicação, buscando atender as especificidades e necessidades das mulheres neste contexto.

“Pensamos em como poderíamos fazer para as informações circularem, até chegar no público alvo, então veio a ideia das lives, rádio, gravação de vídeos, e assim estamos atuando com várias formas de comunicar. Outra estratégia utilizada foi a de articulação com a Rede de enfrentamento à violência contra à mulher para conhecer como as outras instituições também estão trabalhando neste momento”, enfatiza a secretária.

Segundo a Secretária Nacional de Políticas para as Mulheres, Cristiane Britto, as estratégias envolvidas no enfrentamento à violência contra a mulher em todo o Brasil devem ser pensadas também para as mulheres que possuem pouco ou nenhum tipo de acesso à comunicação. “Queremos levar soluções para as mulheres que não têm nenhuma condição de fazer uma denúncia. Estamos avançando para propiciar comunicação até por rádio, se for preciso, mas nós precisamos chegar a essas mulheres invisibilizadas. Isso é fazer cercear uma violação de direitos humanos. A falta de acesso a um meio para fazer uma denúncia é uma violação, precisamos combater isso”, destacou a Secretária Nacional.

Além de enfatizar a importância de fortalecer os meios de comunicação no enfrentamento à violência, a Secretária Nacional Cristiane Britto, falou ainda sobre o Plano de Combate ao Feminicídio, projeto que teve seu lançamento adiado devido à pandemia, mas deve ser retomado no segundo semestre. Ela também destacou as ferramentas de denúncia à violência, assim como a importância das delegacias virtuais nesse processo, onde a mulher não precise se dirigir à delegacia para efetivar alguma denúncia.

As mulheres de Teresina que sofrerem algum tipo de violência e precisarem de orientações, podem entrar em contato também com o Centro de Referência Esperança Garcia (CREG). A unidade está realizando atendimentos por ligações ou via Whatsapp através do número: (86) 99416-9451, nos dois turnos, manhã e tarde e também aos finais de semana. O local disponibiliza assistência social, psicológica e jurídica a essas mulheres.

O peso do fator gênero em tempos de pandemia

Para iniciarmos nossas reflexões gostaria de situar você no que entendemos como gênero, de forma simplista, gênero é a maneira que as diferenças entre homens e mulheres assumem nas diferentes sociedades no transcorrer da história. Deste modo, o fator gênero é construção cultural que pode ser moldada e sofrer variações dependendo do tempo, local, cultura em que o ser humano está inserido.

O fato é que a maneira de ser homem e mulher em nossa sociedade foi CONSTRUíDA  em estruturas historicamente patriarcais, que distribuem PODER entre homens e mulheres de forma desigual, destinando papéis sociais, características, funções, maneiras de ser inferiores ou subalternas, existem vários estudos sobre isso.

Essas desigualdades se tornaram preocupação do Estado em diferentes momentos da história à depender do país analisado, entretanto há alguns pontos em comum no mundo que provocaram a chamada da questão para a necessidade da intervenção do poder público, à exemplo da promulgação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, em 1948; o surgimento do movimento feminista, na década de 60; a conquista ao acesso à educação e outros avanços em direção a maior equidade entre os sexos.

É importante destacar que essas DESIGUALDADES acomete as mulheres de modo diferente pois estão correlacionadas a outros marcadores de desigualdade como raça e etnia, classe social, orientação sexual e território, fator este denominado pelas autoras feministas de interseccionlidade de gênero.

O momento atual em que enfrentamos o avanço da crise sanitária provocada pelo Covid-19 e a quarentena imposta como alternativa de barrar o avanço do vírus, não é diferente, estudiosos da temática já tem apresentado publicações alertando sobre o aumento dessa desigualdade de gênero em tempos de pandemia, destaco o estudo realizado pela antropóloga PASINI (2020) no qual ela analisa um série de reportagens nacionais e internacionais sobre a temática, que aqui condenso em 05 grandes pesos do fator gênero em tempo de pandemia.  SÃO ELES:

  • O primeiro e certamente mais visível é a sobrecarga das mulheres com o acúmulo de tarefas domésticas, cuidados com os filhos e outros dependentes. O fato é que devido as medidas de isolamento social toda família está confinada no ambiente doméstico, entretanto as tarefas para manutenção desse ambiente e das crianças, não entraram de quarentena, ao contrário, houve um aumento das funções a serem desenvolvidas no lar e como já era de se esperar, a execução dessa tarefa recai em grande parte as mulheres, reflexo dos papeis de gênero estabelecidos historicamente.
  • O segundo fator é o crescente índice de violência doméstica nesse período verificada em vários países, as medidas de confinamento propiciaram um maior contato entre os membros da família, muitas mulheres estão em quarentena com seus agressores, que associadas ao estresse, dificuldades econômicas e uso abusivo de álcool comum nesse período, potencializam a ocorrência de violências contra as mulheres e demais membros vulneráveis da família, como crianças e idosos.
  • O terceiro peso do fator gênero destacado é que o mercado de trabalho em saúde é fortemente marcado por papeis de gênero, profissões como enfermagem, técnicos e auxiliares de saúde, categorias estas que estão em maior contato com os pacientes, são historicamente desempenhadas pelas mulheres, logo elas são a maioria das profissionais de saúde da linha de frente de combate ao Covid-19, estando, portanto, mais sujeitas a contaminação.
  • A quarta observação diz respeito aos impactos econômicos gerados em tempos de crise, que também são desiguais para homens e mulheres, visto que estas estão em sua maioria em trabalhos informais e precarizados e que grande parte delas desistiram dos empregos para cuidar da casa e dos filhos durante a quarentena.
  • O quinto fator, ainda não estudado no Brasil, mas já observado em outros países que é o possível aumento da taxa de mortalidade materna e infantil devido à falta de acompanhamento de pré-natal, parto e puerpério, visto que os esforços atuais da saúde estão direcionados para o combate ao COVID-19.

Diante deste cenário tão desafiante para toda humanidade, em especial para as mulheres, os governos têm lançado estratégias para combater essas desigualdades e assegurar proteção as mulheres no isolamento social. Como exemplo, no Brasil foi lançado um auxílio emergencial, o qual tem caráter financeiro destinado aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais (MEI), autônomos e desempregados, e tem por objetivo fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do Coronavírus – COVID 19. O auxílio faz o recorte de gênero quando o valor do auxílio dobra para mulheres responsáveis pelo sustento financeiro de sua família (BRASIL, 2020).

Em Teresina, visando abrandar os danos causados à mulher no cenário atual e dar continuidade aos seus atendimentos em tempos de isolamento, a Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres (SMPM) elaborou O #TeresinaParaElas: Estratégias para enfrentamento à violência contra a mulher no período da pandemia do Covid-19, esse plano de ação denominado tem  os seguintes eixos de atuação: comunicação; enfrentamento à violência e articulação. O documento propõe uma série de ações e programas específicos para enfrentar situações críticas de violência por razões de gênero, em que pese a situação da pandemia do Covid -19. O documento na integra está disponível no site institucional da SMPM. Informe-se, proteja-se e apoie mulheres. Juntas somos mais fortes!

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Decreto Nº 10.316, de 7 de Abril de 2020.

PISANI, M da S. O enfrentamento e a sobrevivência ao Coronavírus também precisa ser uma questão feminista!. Boletim n.12 – Ciências Sociais e coronavírus, 03/04/2020. Disponivel em: http://www.anpocs.com/index.php/ciencias-sociais/destaques/2323-boletim-n-12-o-enfrentamento-e-a-sobrevivencia-ao-coronavirus-tambem-precisa-ser-uma-questao-feminista. Acesso em: 04/05/2020 às 22 horas.

TERESINA. Secretaria Municipal de Políticas Públicas para as Mulheres. #Teresina para elas: Estratégias para o enfrentamento à violência contra a mulher no período de Pandemia Covid-19. ORG:SMPM, 2020.

 

Caroline Leal – Assistente Social da Gerencia de Enfrentamento à Violência contra Mulher da Secretaria de Políticas Públicas para mulheres de Teresina e Assistente Social do Centro de Atenção Psicossocial II Sul Teresina